O 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza começou nesta quarta-feira, 2 de setembro, transformando mais uma vez o Lido em ponto de encontro de grandes nomes do cinema, da moda e da cultura internacional. A abertura da edição foi marcada pela chegada das celebridades à Sala Grande e pelos primeiros looks que movimentaram o tapete vermelho.
Entre os destaques do dia, George e Amal Clooney atraíram os holofotes desde a chegada a Veneza, feita a bordo de um tradicional táxi aquático. Duas vezes vencedor do Oscar, o ator participa desta edição para receber o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, uma das principais homenagens concedidas pelo festival.
A brasileira Alessandra Ambrosio também esteve entre os nomes que chamaram atenção na abertura. A modelo apostou em uma produção all black para cruzar o tapete vermelho, reforçando a presença da moda entre os grandes atrativos do evento.




A cerimônia reuniu ainda Laura Dern, escolhida para apresentar a homenagem a Clooney, e Maggie Gyllenhaal, que neste ano ocupa a presidência do júri internacional. Além de marcar presença no red carpet, Gyllenhaal colocou em pauta uma das principais discussões desta edição: a participação feminina na seleção oficial.
Entre os títulos que disputam o Leão de Ouro, apenas um é dirigido integralmente por uma mulher: “Mulher Desconhecida” (Kvinde Ukendt), da cineasta dinamarquesa-egípcia May El-Toukhy. A programação recebeu ainda a inclusão do documentário político “NAZA”, codirigido por Rachel Szor.
A baixa presença de diretoras na competição principal, cenário que não acontecia desde 2018, repercutiu já nas primeiras horas do festival. Durante a coletiva de imprensa, Maggie Gyllenhaal relacionou a disparidade a questões estruturais da indústria, especialmente às dificuldades enfrentadas por mulheres para financiar e viabilizar seus projetos.
Um dos títulos que concentra as atenções é justamente “Mulher Desconhecida”. Ambientado na Dinamarca do pós-guerra, o longa acompanha Marie, interpretada por Mathilde Arcel, uma jovem babá prestes a se casar que vê seu futuro ameaçado quando um relacionamento vivido durante a ocupação alemã volta à tona.
O filme é o terceiro longa-metragem de May El-Toukhy, diretora que ganhou projeção internacional com “Rainha de Copas” e também integrou produções como “The Crown”. Para o público brasileiro, há ainda a expectativa de lançamento por aqui: os direitos do longa para a América Latina foram adquiridos pela California Filmes.
Entre estreias aguardadas, discussões importantes sobre os rumos da indústria e produções que já começam a ganhar destaque, Veneza dá início a mais uma edição em que cinema e moda dividem os holofotes.