
Uma parceria inédita entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e o Instituto Tomie Ohtake acaba de dar vida a duas exposições que exploram questões universais de deslocamento, pertencimento e transformação. O programa, batizado de “MAM São Paulo encontra Instituto Tomie Ohtake”, está em cartaz a partir de 3 de setembro de 2025 em São Paulo.
A iniciativa é um marco de colaboração institucional, motivada pelo fechamento temporário da sede do MAM para a reforma da Marquise do Parque Ibirapuera. A união resultou em duas mostras complementares que se aprofundam em temas da contemporaneidade.
Aqui-Lá: identidades em trânsito
A exposição coletiva “Aqui-lá”, com curadoria conjunta das duas instituições, traz um recorte do acervo do MAM. A mostra aborda identidades e culturas que não se restringem a um único território, mas se constroem em múltiplos lugares.
Entre as obras, o público poderá conferir trabalhos de artistas como León Ferrari, Anna Bella Geiger e Judith Lauand, que traduzem, por meio da arte, a complexidade dos fluxos migratórios, da memória e da alteridade. É um convite para refletir sobre como as obras incorporam os movimentos como matéria e pensamento.
Limiar: uma reflexão poética sobre exílio
Em paralelo, o Instituto Tomie Ohtake recebe “Limiar”, a primeira exposição individual no Brasil do artista franco-palestino Tarik Kiswanson. A instalação, que faz parte da Temporada França-Brasil 2025, é uma intervenção arquitetônica que convida à reflexão sobre migração e memória.
A obra de Kiswanson, que tem uma história de exílio familiar, reúne três elementos simbólicos em suspensão: uma cadeira de imigração brasileira, um cadeiral de igreja belga e uma escultura em forma de casulo. Juntos, eles criam um espaço sensível que fala sobre a transição e a potência do futuro, onde o visível e o invisível se entrelaçam.