Moda pós Covid-19: tendências de um novo cenário global

Em 2021 a moda provavelmente terá a sua resposta à pandemia da Covid-19. Os estilistas terão que tornar a moda relevante novamente, diz Benjamin Simmenauer, professor do Institut Français de la Mode (IFM). “A moda é uma interpretação do momento. Isso é um grande desafio. Ninguém quer ir a uma loja que parece uma sala de descontaminação com vendedores de máscaras, luvas e macacões. Ao mesmo tempo, há uma linha tênue entre itens essenciais e supérfluos. Os estilistas terão que ter uma sensibilidade em relação a esse período e trazer valor aos consumidores como proteção, conforto ou alegria”.

Emilie Hammen, professora de história e teoria da moda no IFM, diz que os designers podem reagir de maneiras diferentes dependendo das suas visões da moda. “Podemos presumir que a crise reforçará seus engajamentos originais, sejam eles ecológicos com o meio ambiente; ou sociais com diversidade, feminismo. Mas também poderemos ver algumas grandes mudanças”.

Estilistas já vem trabalhando no lançamento de suas coleções verão 2021. E afinal, o que devemos esperar?

Inspiração: Proteção e otimismo

A proteção será essencial, seja ela repensando silhuetas para incorporar máscaras e luvas ou desenvolvendo novos tecidos. “Com certeza quereremos roupas que nos protejam”, diz Rabih Kayrouz. “Quero uma camada de proteção que possa tirar antes de voltar para casa. Nossos gestos mudarão, então as roupas terão que ser adaptadas”.

Para Serge Ruffieux, que presta consultorias para uma marca da moda chinesa, a resposta da indústria à pandemia será “maior desenvolvimento de tecidos em termos de lavagem ou até algo antibacteriano”.

Coleções mais apuradas

Enquanto trabalham remotamente, os estilistas têm superado obstáculos logísticos e feito trocas. A Lanvin substituirá sua pré-coleção por uma coleção-cápsula que será apresentada em junho ou julho.

“Queremos que seja elegante e substancial, é mais um trabalho de edição”, diz Sialelli, cuja principal coleção, o verão 2021, também será resumida. “Eu sinto que não precisaremos mais de coleções extensas. Esta crise é uma oportunidade para cada marca repensar na sua proposta, não existem mais regras.”.

Para a temporada de verão 2021, Rabih Kayrouz decidiu usar o seu próprio estoque de tecidos. “É uma espécie de reciclagem interna e tirou um pouco do estresse de todos nós”. Ele também decidiu reduzir para duas coleções ao ano, afim de produzir apenas o necessário.

Reflexão sobre os desfiles de moda

O British Fashion Council anunciou que a semana de moda de Londres iria ocorrer em junho com uma plataforma digital, em resposta à crise do coronavírus. Enquanto isso, a Federação de Alta-Costura e Moda, órgão governante da moda francesa, cancelou as próximas semanas de moda masculina e de alta-costura, mas disse que está trabalhando em “projetos alternativos” com seus membros e ainda manterá a semana de moda de Paris como haviam planejado: em setembro, como um evento presencial.

Simmenauer, professor do Institut Français de la Mode (IFM), também questiona a relevância de desfiles digitais. “Eles não têm a exclusividade, a empolgação social da primeira fila e não são uma celebração”. No entanto, da mesma forma que as pessoas assistem Netflix, elas podem querer assistir a um desfile de moda digital.

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